sexta-feira, 11 de janeiro de 2013






Sentada no quarto, iluminada pelos fracos raios de sol que brilhavam através da janela e, após uma chuva daquelas, estava distraída com alguns textos que lia na internet. Acabara de passar um filme louco e qualquer na tevê. Depois entrou um noticiário rápido anunciando as chuvas catastróficas e consequentes desabrigados, confusões e resgates no Rio de Janeiro. Triste. Mas então, a jornalista anunciou que o dia do "Amor Eterno" provocou uma onda de casamentos na China. "Dia do Amor Eterno?", pensei...  rsrsrsrs

"Na expectativa de que a data lhes traga sorte, milhares de casais chineses 
lotam os cartórios do país para oficializar sua união", continuava... Isso porque, em mandarim, o dia 4 de janeiro de 2013 tem um som parecido com o da frase 
"Eu te amarei por toda a minha vida". Achei fofo. Meio bobinho, mas fofo. 
Motivos aleatórios não faltavam para acreditarem no amor, ao menos.


Mais tarde, ainda pensando no assunto, associei o acontecimento bizarro ao encantamento. Ou a falta dele... Já explico. Três semanas atrás, quando conversava sobre o espírito do Natal, ouvi muitos comentários dizendo que a data perdera a graça, alguns diziam ter se esquecido da magia. Falavam que já não é a mesma coisa. Fiquei um pouco triste, confesso. Para mim, a data continua sendo um momento muito especial, de reflexão, união e alegria, com o mesmo brilho e intensidade de sempre. Então deixei os pensamentos negativos de lado.

Depois, lembrei que, no segundo ano do Ensino Médio, meu professor de Língua Portuguesa havia proposto um trabalho fotográfico diferente: clicar detalhes do dia-a-dia que, geralmente, passam despercebidos por nós. O resultado foi bem interessante: insetos, alimentos, flores e até caminhos rotineiros vistos de pertinho, numa visão ampliada e totalmente diferente. Pudemos ver a tal plenitude das coisas. Das mais simples.

Tá, mas o que fotografar detalhes tem a ver com a magia do Natal e a onda de casamentos na China? Fácil: é tudo uma questão de encantamento. E, como já dizia Clarice Lispector - muitas vezes citada nas redes sociais: "Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato. Ou toca, ou não toca".
E, assim como é para Clarice Lispector, é para todos nós: a vida, as datas, os acontecimentos (mesmo os rotineiros, dos mais simples) de alguma forma nos tocam (ou não). E penso que talvez a grande sacada da vida seja isso: não deixar de perder a graça pela coisa (apesar da rotina).

Impulso vital, inspiração, milagre ou plenitude, seja lá como você prefere chamar... A minha prece e a minha pressa é que eu nunca deixe de ver a beleza da vida. Que eu sinta, aprecie e agradeça tanto quanto possível. Que eu perceba a urgência de viver o encantamento e de ver um pouquinho de brilho mesmo quando tudo lá fora 
é cinza e pesado.